quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Tentando explicar a semiologia - Figurino, Maquiagem, Objetos e Iluminação

O teatro pobre de Grotowski diz que todos os elementos que compõe e teatro são dispensáveis, com exceção do ator e da platéia. Hoje em dia esse método é pouco usado em espetáculos, mas é muito usado na preparação do ator. Contemporaneamente temos montagens teatrais com mega-estruturas e apresentações somente com uma cadeira. Cuidados para não deixar uma montagem “pobre” visualmente ou “suja”, devem ser tomados. A gama sígnica que os objetos podem envolver deve ser o foco na hora de conceber a parte técnica.
Os primeiros signos abstraídos pelo público são os visuais. Eles repassam a primeira impressão. Então, cenários e figurinos são percebidos primeiro e a analise dos significados dependerão do interpretante. Este capítulo explanará sobre figurino, maquiagem, objetos e iluminação.
O figurino é o maior representante espacial e temporal da peça. Ele pode repassar ao espectador: época, local e classe social, mas também, tecnicamente, serve de identidade do personagem, ajudando o ator a “vestir um contexto” que ajudara em sua interpretação e pode dar alguns tons de seu temperamento.
Deve haver uma harmonia na coloração e textura dos elementos técnicos, pois isso é que dará suporte às várias leituras ou a uma única leitura, dependendo do objetivo da montagem. Claude Lemaire diz que o figurino é um cenário ambulante, tamanho a relação que cenário e figurino devem ter na sua concepção.
Sobre objetos, Pavis diz que um objeto pode ser mais objeto que o outro, por exemplo: um carretel de fios elétricos pode ser um simples carretel, estático e imutável, ou pode ser uma mesa, um balanço ou uma cama, como na peça “Retalhos” montada pelo CPA Identidade de Palma Sola – SC. Também, o objeto pode estar ligado ao material em cena ou à palavra dita pelo personagem.
A relação dos objetos com os atores deve ter sempre um objetivo. Nunca um elemento deve ser posto aos olhos do público sem um significado. Mesmo que a justificativa que a direção deu para um determinado elemento seja diferente da interpretação de uma pessoa da platéia, afinal, tudo que está em cena está sujeito a diversas leituras.
Assim como o figurino ajuda na composição do personagem e está diretamente ligado a sua vida e história, a maquiagem também tem essa função, mas com o diferencial de estar impregnado na pele do ator. A maquiagem, natural ou artificial, se torna a máscara do personagem que o público vai ver até o fim da peça. Natural, é a maquiagem muscular, citada por Grotowski, que pode dar características, trejeitos, deformidades, etc. Artificial, são os pós, lápis, tintas, etc, que realçam traços, ou os escondem, e podem produzir outros milhares de signos. Além disso, maquiagem não se limita ao rosto, mas no corpo inteiro, onde se queria produzir um efeito ou colocar em evidencia.
Quem concebe a maquiagem deve saber qual equipamento de luz é oferecido. Uma iluminação forte com traços fracos pode apagar a maquiagem, assim como uma iluminação mais fraca com traços da maquiagem fortes pode saturar. Da mesma forma, a distância que o público está, modifica sua leitura, deixando-a mais artificial ou mais verdadeira.
A iluminação é o elemento cênico que mais evoluiu tecnicamente e tecnologicamente nos últimos anos. A iluminação pode ser a chave para uma apresentação e uma leitura correta da peça, dentro do objetivo da direção, por que tem o poder de esconder objetos, cortar palco ao meio, dar ênfase a detalhes, colorir, dar vida ou deixar uma cena cadavérica.
O texto nos fala, também, sobre o uso dos cinco sentidos. Comumente o teatro explora a visão e a audição do espectador, deixando o olfato, o paladar e o tato inexplorados. O cheiro da poeira, ou do lixo, propiciar a degustação de comidas, deixar o público toca e ser tocado fisicamente na peça, são propostas pouco exploradas, que, apesar de existir montagens antigas usando esses recursos, não foi muito trabalhada e a pesquisa desses sentidos é mais contemporânea.
Por fim, devemos sempre ter consciência das possíveis leituras dos nossos espectadores. Um determinante para o sucesso da apresentação é saber qual platéia irá assistir, ou fazer uma peça para um determinado público. Ter idéia de como será analisado os signos. Não podemos, por exemplo, apresentar “Mackbeth” – Willian Sheakespeare – para uma turma de ensino fundamental. E o mesmo acontece com elementos técnicos: a clareza nos objetivos, nos “por quês” é essencial, e assim, deixemos o público pensar.

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